Como Unir Palavra e Música No Louvor Comunitário

Como Unir Palavra e Música No Louvor Comunitário

Quando eu era criança, o culto de domingo à noite não estaria completo se as pessoas não pedissem, em voz alta, que tocassem seus hinos favoritos. Número 147! Número 269, só as estrofes um e três! Número 16, só o refrão! Não parecia necessário estabelecer uma conexão, um tema. O hinário era o único denominador comum.

Avance para frente (muitas décadas!) até os dias de hoje: um líder de louvor, amigo meu, postou no Facebook sua lista de músicas para o culto. Não havia qualquer razão aparente que explicasse o pensamento ou que dirigisse as escolhas dele. É claro que, como amigo, eu deveria ter “curtido” a lista. Mas por que, exatamente?

Antes de eu dar o “Curtir”, não ajudaria saber por que ele considerou aquelas músicas apropriadas para a ocasião? Como essa lista particular de músicas foi formada? Será que “batidas por minuto” se tornou um critério importante demais? Ele levou o contexto em consideração? Não há como saber se essas músicas se encaixam em algum propósito ou objetivo pastoral, ou se elas foram escolhidas por acaso, com o desejo sincero de atingir algo.

Canções Com Data de Validade

Ao mesmo tempo, muitas canções populares hoje são tão descartáveis quanto nossos celulares antigos. Elas tendem a cumprir sua carreira rapidamente, e a maioria quase não é ouvida uns cinco anos depois.

Como líder de louvor e compositor, estou bem ciente da pressão de manter-me atualizado em relação às últimas músicas. Mas é o mesmo tipo de pressão que sinto por parte dos aficionados por tecnologia. É a pressão de estar por dentro das últimas novidades. Atualmente, as canções vêm e vão. Como leite e verduras, elas possuem uma data de validade, e saber qual é essa data tem se tornado um dos desafios de líderes de louvor. Se eu escolhesse, para o culto, canções como “Aclame ao Senhor”, ou “Grande é o Senhor” ou, Deus me livre, “A alegria está no coração”, iria ter de justificar minhas escolhas!

Como foi que a chegada e partida de canções recebeu um poder tão grande dentro da igreja, chegando, às vezes, até a excluir o foco na Bíblia e na oração? Haveria maneiras de preencher nosso momento de louvor com o que é atemporal, provendo, ao mesmo tempo, conexões mais claras com as diversas partes do culto?

Engaje-se

Jesus disse: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mt 24.35). Isaías afirmou: “Seca-se a erva, e cai sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Is 40.8). Dada a relevância perpétua da Palavra de Deus, não faz sentido unir o conteúdo das Escrituras com o poder da música, fazendo as canções funcionarem como um “Amém!” à verdade da Palavra de Deus?

Paulo valorizou a união de espírito e mente quando ele afirmou, em 1 Coríntios 14.15: “Cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente”. Quando as Escrituras são seguidas pela música, ecoando e respondendo à verdade, tanto nossa mente como nosso espírito se engajam.

O puritano Stephen Charnock argumentou o uso da mente no louvor da seguinte forma:

“Não pode haver religião onde não há razão. Não pode haver o exercício da religião onde não há um exercício de faculdades racionais. […] Todo louvor deve ser para algum propósito — o louvor de Deus deve ser para Deus. É pelo exercício de nossas faculdades racionais que podemos visar a um objetivo.”(“The Existence and Attributes of God” [A existência e os atributos de Deus], vol. 1. Baker, 1979, p. 425)

A Palavra de Deus faz muitas coisas, mas engajar a mente no louvor é um de seus usos mais subestimados. A Escritura é viva e ativa. O mesmo não vale para as canções. Enquanto elas são excelentes para estimular nossas emoções, a Escritura nos dá a verdade que deve direcioná-las e canalizá-las. Deus nos deu ambas graciosamente, e cada uma tem seu papel no louvor.

Um Exemplo

A canção “Quão Grande É o Meu Deus”, de Chris Tomlin, é uma das mais influentes no louvor contemporâneo da última década. Sua abertura é de grande ajuda para nos fazer imaginar a beleza da santidade — “Com o esplendor de um rei, em majestade e luz” — e depois convida o mundo todo a se unir no louvor — “Quão grande é o meu Deus”.

Essa canção maravilhosa pode se tornar ainda mais comovente se for preenchida por uma verdade da Escritura. E se, por exemplo, a música fosse introduzida com uma leitura responsiva de Salmos 145.1-13:

DIRIGENTE: Exaltar-te-ei, ó Deus meu e Rei; bendirei o teu nome para todo o sempre. Todos os dias te bendirei e louvarei o teu nome para todo o sempre.

CONGREGAÇÃO: Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável.

DIRIGENTE: Uma geração louvará a outra geração as tuas obras e anunciará os teus poderosos feitos.

CONGREGAÇÃO: Meditarei no glorioso esplendor da tua majestade e nas tuas maravilhas.

DIRIGENTE: Falar-se-á do poder dos teus feitos tremendos, e contarei a tua grandeza.

CONGREGAÇÃO: Divulgarão a memória de tua muita bondade e com júbilo celebrarão a tua justiça.

DIRIGENTE: Benigno e misericordioso é o Senhor, tardio em irar-se e de grande clemência.

CONGREGAÇÃO: O Senhor é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras.

DIRIGENTE: Todas as tuas obras te renderão graças, Senhor; e os teus santos te bendirão. Falarão da glória do teu reino e confessarão o teu poder, para que aos filhos dos homens se façam notórios os teus poderosos feitos e a glória da majestade do teu reino.

CONGREGAÇÃO: O teu reino é o de todos os séculos, e o teu domínio subsiste por todas as gerações.

Então a música começa. A mente, engajada na grandeza da glória do Senhor, está pronta para responder. E quando a canção do Chris começa a ser entoada, o coração e a mente estão encorajados a se unir, produzindo o tipo de louvor que João 4.23 nos diz que o Pai procura: em espírito e em verdade.

Músicas, como a moda, vão e vêm. Boas canções servem a igreja, mas, em geral, causarão um efeito ainda maior quando forem combinadas com a leitura pública das Escrituras. Essa estratégia requer, obviamente, diferentes aplicações em diferentes contextos, mas possui muitos benefícios. Ela pode direcionar nossas emoções para mais perto da verdade bíblica. Ela nos ajuda a estruturar o fluxo do nosso culto. E pode ancorar nosso louvor naquilo que não segue tendências, mas que, de fato, irá durar para sempre.

Por:Walt HarrahCopyright © 2014 The Gospel Coalition. Original:  How to Wed Scripture and Song in Corporate Worship
Traduzido por Daila Fanny

Walt Harrah é cantor, compositor, arranjador e produtor musical, e líder de louvor. Graduado na USC Thornton Music School e no Fuller Theological Seminary, ele produziu mais de mil canções para o ministério de rádio Haven of Rest, e mais de 50 de suas canções foram gravadas pelas gravadoras Maranatha Music e Integrity Music, pelo coral Brooklyn Tabernacle Choir, e pelos cantores David Phelps e Glenn Campbell. Ele serve atualmente como líder de louvor na Grace Evangelical Free Church em La Mirada, California, EUA. 

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