ADORAÇÃO COMO SENTIDO DE VIDA

Adoração como sentido de vida
Neste artigo gostaria de tratar de uma maneira mais objetiva sobre Adoração como sentido da vida cristã.

Nos dias de hoje é muito comum ouvirmos sobre o tema adoração. Temos livros, palestras e congressos referentes a esse assunto. Em contrapartida, creio eu, nunca esse assunto foi tratado de forma tão equivocada como tem sido ultimamente. Infelizmente, quase todo o conteúdo que encontramos sobre adoração está mais relacionado à música e aos grupos de música que atuam na liturgia das igrejas do que com o sentido e propósito da vida do crente que é buscar honrar e glorificar a Deus em todas as suas atitudes e em todos os momentos. Neste artigo gostaria de tratar de uma maneira mais objetiva sobre Adoração como sentido da vida cristã.

ADORAÇÃO E MÚSICA

A nossa música faz parte da adoração que oferecemos a Deus, mas está longe de ser a adoração propriamente dita. A música que dedicamos a Deus deve ser fruto da vida de adoração que cultivamos todos os dias, e que é uma resposta à graça soberana de Deus atuante em nós.

A adoração é imperativa do mesmo modo que a religião é própria do homem. Como apontou Calvino, todo homem possui o sensus divinatus, que podemos perceber naquele anseio pelo divino que todo homem possui, mesmo que ele negue. Dostoiévski também declarou que no homem existe um vazio que é do tamanho de Deus.

EXISTIMOS PARA GLÓRIA DE DEUS

O homem foi criado com o propósito de glorificar a Deus. A primeira pergunta do Breve Catecismo de Westminster mostra a importância desse conceito: Qual é o fim principal do homem? R: O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre.

Vejamos alguns textos bíblicos: “Todo o que é chamado pelo meu nome, a quem criei para a minha glória, a quem formei e fiz”. (Is 43.7 – NVI); “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.” (Rm 11.36- NVI); “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” (1Co 10.31 – NVI).

DE GÊNESIS À APOCALISPSE

Adoração é o tema central da Bíblia, de Gênesis à Apocalipse. Em Gênesis temos a narração da criação. Esta nos mostra quem é o Deus a quem servimos, o Deus criador dos céus e da terra. Como suas criaturas devemos lhe render a honra devida. Em Gênesis também temos a narrativa da Queda, que acontece quando Adão falha em adorar a Deus pela obediência. Em Apocalipse vemos a história culminando numa comunidade de santos adorando eternamente. E entre Gênesis e Apocalipse, todos os livros da Bíblia tratam do assunto da adoração.

O MAIOR MANDAMENTO

Quando perguntaram para Jesus sobre qual é o maior mandamento, em Mc 12.29,30, a resposta de Jesus deixa claro a importância da adoração, ao citar Dt 6.4,5: “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças” (Dt 6.4,5 – NVI).

Na lista dos dez mandamentos o primeiro é relacionado com a adoração: “Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor, o teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam.” (Ex 20.4,5 – NVI).

ADORAÇÃO E AS ESCRITURAS

Muitos capítulos das Escrituras foram gastos para a descrição de como deveria ser o tabernáculo, bem como o culto oferecido a Deus, com os sacrifícios, as ofertas, o incenso, as vestimentas do sacerdote, etc. Deus sempre está ensinando a importância da adoração na vida do seu povo.

No Evangelho de João, no capítulo 4, na conversa de Jesus com a mulher samaritana, Jesus diz que o Pai está à procura de adoradores, portanto Jesus está dizendo que os verdadeiros prokunetes (adoradores) proskuneõ (adoram) em espírito e em verdade. Embora podemos falar de nosso ato físico de nos prostrar diante de Deus, este termo adquire um significado muito mais profundo. Aqui encontramos o primeira exigência para sermos achados como adoradores, a reverência. Adorar a Deus é atribuir a ele valor supremo. O valor supremo que podemos atribuir a Deus é o seu senhorio sobre as nossas vidas.

DEUS É O CENTRO DA ADORAÇÃO

Lucas registra em seu Evangelho as palavras do anjo: ”Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11 – NVI), declarando o senhorio de Cristo. Os magos do Oriente que foram visitar Jesus o reconheceram como Senhor: “Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram (proskunein) (Mt 2.11)“. Curvar-se também traz a idéia de humilhar-se.

Ao lermos na Bíblia tantos protocolos e procedimentos de como devia ser a adoração somos levados a pensar que o maior interesse de Deus é receber adoração, mas no Evangelho de João, no capítulo 4, que vimos acima, Jesus deixa bem claro que o maior interesse do Pai são os adoradores. Jesus disse: “No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura” (Jo 4.23 – NVI). Deus não procura adoração, e sim adoradores. Essa diferença nas palavras “adoração” e “adoradores” é significativa.

DEUS BUSCA ADORADORES

Nosso Deus é um Deus pessoal. E isso faz toda a diferença. Em todas as outras religiões encontramos diversos tipos de deuses: fortes, fracos, irados, mas nenhum é um pessoal. Nenhum falou face a face com suas criaturas, nenhum lhes concedeu um livro contendo suas próprias palavras.

É por essa razão que nosso Deus não está buscando adoração e sim adoradores, pois adoradores são pessoas que podem se relacionar com Ele. Logo, podemos concluir que adoração é relacionamento. Isso prova que restringir adoração à música é um grande equívoco.

ADORAÇÃO É GERADA POR DEUS

Outro equivoco que percebo com relação à adoração, é o fato que muitos encaram a adoração como um modo de se aproximar de Deus, ou mesmo de causar a aproximação dele em nossa direção. Mas este não é um conceito bíblico.

Sempre que vemos na Bíblia o relacionamento de Deus com o homem, a iniciativa sempre está em Deus. Como apontou o apóstolo Paulo, não ninguém que busque a Deus (Rm 3.11). Assim Deus é que vem na direção do homem. Isso fica muito claro após o pecado de Adão e Eva. Deus vem até eles, eles se escondem, mas Deus insiste em falar com eles, e dessa conversa de Deus com nossos primeiros pais, vem a promessa da redenção em Cristo Jesus.

ADORAÇÃO, UMA RESPOSTA À GRAÇA SOBERANA

Assim, a adoração, como já foi dito acima, é uma resposta à graça soberana de Deus em nós. A possibilidade de vivermos uma vida para a glória de Deus é fruto do amor dele por nós, que através da morte vicária de Cristo na cruz, nos transportou para o reino do seu amor.

Fomos vivificados por Ele, fomos feitos nova criação para realizarmos as boas obras dele estabelecidas desde a eternidade. A adoração nunca tem início e fim nos adoradores, mas sim naquele que é adorado.

Hebreus 12.28 diz: “Portanto, já que estamos recebendo um Reino inabalável, sejamos agradecidos e, assim, adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor”. Ora, se já recebemos tão grande dádiva, só nos resta viver com gratidão, oferecendo a Deus toda a nossa adoração.

Por Samuel Fratelli

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