Grupo musical, um único som

Grupo musical, um único som
"Sabemos que tocar música como ministros do Evangelho exige muito mais de nós do que apenas conhecimento musical. Exige conexão com o Espírito Santo, e conhecimento das Escrituras, mais do que tudo, exige um Novo Nascimento."

 

Gostaria de falar um pouco sobre equipe de louvor e, embora o que tenho a compartilhar tenha grande influência no aspecto técnico musical e no resultado do som do grupo, não trata-se exatamente de música.

Muitas vezes fazemos parte de um grupo musical dentro da igreja, uma banda de apoio, ou coral, e não entendemos o porquê de, embora haja ensaio, em alguns casos até mesmo de forma exaustiva, o grupo não consegue ter um som coeso, sincronizado. Certamente em alguns casos a técnica pode falhar, dificuldades de andamento, distribuição de acordes, notas “demais”… mas há casos em que os músicos tocam bem, sabem o que devem fazer, mas na hora de fluir o som da banda, esse não está “inteiro”, conectado.

Sabemos que tocar música como ministros do Evangelho exige muito mais de nós do que apenas conhecimento musical. Exige conexão com o Espírito Santo, e conhecimento das Escrituras, mais do que tudo, exige um Novo Nascimento. Quando nos tornamos cristãos, passamos a fazer parte de uma nova família, de um corpo, passamos a ser Igreja. Somos portanto partes de um todo (Rm 12.5), sendo Cristo o cabeça (Cl 1.18).

Tocar num grupo de música cristã sem esse entendimento faz com que a música não tenha um propósito claro, um objetivo além de entreter. Existem muitos aspectos que poderíamos abordar, mas gostaria de falar apenas de um elemento: a unidade.

O grupo (note que no singular) precisa sim estar afinado musicalmente, porém se não houver harmonia no convívio, será muito difícil existir um som unido e sincronizado na banda. Quando os integrantes se conhecem, se amam e se respeitam, muitas vezes eles não precisam nem se comunicar verbalmente, eles conseguem perceber um no outro o que está para acontecer, como o que o tecladista está pensando em fazer, o momento de um solo de guitarra, a intensidade da bateria. Essa unidade não é construída nos momentos de ensaio apenas, mas nos períodos de conversa, de compartilhar da Palavra, o comer junto, dividir, orar.

Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. At 2.44

Muitas vezes achamos que quanto mais tocarmos juntos, mais unidos seremos em nosso som, mas não é apenas isso. É preciso ter tempo para nos conhecermos melhor. Separar um tempo do ensaio para conversar, compartilhar as dificuldades, experiências e vitórias de cada um, principalmente, compartilhar como a Palavra tem transformado cada um, é tão importante quanto (ou mais) do que passar e repassar aquela convenção para subir o tom da música. É necessário trazer a memória o objetivo que temos como Igreja, que não é ter a equipe de louvor mais sincronizada, mas trazer transformação através de nossas vidas e testemunho, servindo a comunidade com amor, estando à disposição do povo como um único organismo. Vejo que hoje na igreja existem grupos que não se misturam com as pessoas “abaixo” da plataforma, e competem entre si. Isso jamais deveria ser assim.

E lhes darei um só propósito, um só coração e um só Caminho; a fim de que me amem com amor reverente para sempre, para o seu bem e para o bem de seus filhos no futuro.  Jr 32.39

Vamos buscar ser Igreja, no seu real sentido. Quando estamos reunidos num grupo, somos Igreja nesse grupo, vivendo um para o outro, inteiramente e de forma profunda; quando numa plataforma, somos Igreja com todos os que estão nela ou fora dela, somos um com todos, oferecendo nossos louvores a Deus, com um só coração. Sejamos um grupo de louvor de pessoas que tocam junto, comem junto, andam junto e adoram juntos o único Deus

E da multidão dos que creram, um só era o sentimento e a maneira de pensar. Ninguém considerava exclusivamente seu os bens que possuía, mas todos compartilhavam tudo entre si. At. 4.32

Por : Luciana Fratelli

Comentários

comentários